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OppFi (OPFI) e Enova (ENVA)

16 de agosto de 2026

OppFi (OPFI) e Enova (ENVA)
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Duas faces da mesma moeda

Introdução

Em janeiro de 2025, apresentámos a OppFi (NYSE: OPFI) como uma oportunidade. A ação valia $9,21. A tese era coerente com o momento, as small caps tinham acordado, o setor financeiro respirava, e a OppFi surgia como uma fintech de crédito barata, a negociar a múltiplos que ignoravam, na altura, o seu crescimento.

Dezanove meses depois, é altura de olhar pelo retrovisor.

A OppFi vale hoje cerca de $7. Com o dividendo especial de $0,25 que distribuiu pelo caminho, quem comprou esta pick perdeu cerca de -23%. No mesmo período, o S&P 500 subiu cerca de +34%. A distância entre as duas linhas é de quase 60%. Isto é custo de oportunidade. 

Qual terá sido o erro? A empresa ou o setor?

A tese

A tese original assentava em três pilares. O primeiro era macro: um ambiente pós-eleições favorável às pequenas capitalizações e ao crédito. O segundo era a valorização: OppFi negociava a menos de 11x os lucros previstos, com um PEG que sugeria um desconto enorme face ao crescimento. O terceiro era operacional: uma máquina de crédito digital, com taxas de incumprimento controladas e juros suficientes para gerar retorno.

E durante quase todo o ano de 2025, este terceiro pilar aguentou-se, e bem. OppFi fechou 2025 com a receita a crescer 13,5% e o lucro ajustado a subir 69%. A empresa subiu as suas próprias previsões três vezes ao longo do ano. Operacionalmente, foi um bom ano.

O problema é que a ação não acompanhou o negócio. E, depois de um pico de $16,42 em fevereiro de 2025, iniciou uma longa e teimosa descida. O mercado ficou cada vez mais pessimista e 2026 acabou por lhe dar toda a razão.

O golpe final

Os resultados do segundo trimestre de 2026, divulgados em agosto, foram o ponto de viragem.

À primeira vista, um recorde: a receita atingiu $145 milhões, o valor mais alto de sempre para um segundo trimestre. Mas as letras pequenas contam outra história. O lucro ajustado por ação caiu para $0,33, quando o mercado esperava $0,45, um desvio de quase 30%. As novas concessões de crédito recuaram 9%.

As perdas por incumprimento, o indicador mais importante para quem empresa dinheiro a consumidores de maior risco, disparou para 40% da receita. Há um ano era de 32%. 

O golpe final foi a revisão em baixa e transversal das previsões para o ano, acrescida de atrasos no lançamento de novos produtos e normalização das perdas de crédito para as médias históricas, um sinal de que este depósito está chegar à reserva. As ações caíram -18% numa sessão.

A culpa

Concentração.

Qual o modelo de negócio da OppFI? Vende crédito ao consumo a consumidores americanos com scores de crédito mais desafiante. É um bom negócio quando o consumidor está saudável. Mas está concentrado. Em 2026 o consumidor começou a falhar pagamentos e a empresa não tem um amortecedor eficaz para isto.

Mas está a tentar. Anunciou a compra do BNC National Bank, uma operação que a transforma de intermediária pura na detentora do próprio banco. A estratégia é potencialmente transformadora, mas também é cara, complexa, sujeita a aprovação regulatória, e está a ser executada no pior momento possível: enquanto o negócio principal se deteriora.

Justiça seja feita a um ponto: a participação na Bitty Advance, que destacámos na tese original como positivo, cumpriu. Gerou retorno e distribuiu dinheiro à OppFi. Mas o negócio central da OppFi está a falhar.

Uma escolha semelhante noutra bitola

Chegamos ao ponto mais útil deste artigo. Há alternativas para quem aprecia o setor e esta indústria em particular?

Sim. E chama-se Enova International (NYSE: ENVA). Opera no mesmo nicho, crédito a consumidores e a pequenas empresas fora do circuito bancário tradicional, mas com uma diferença estrutural que muda tudo: diversificação. Empresta a consumidores (com as marcas CashNetUSA e NetCredit) e a pequenas empresas (com a OnDeck e a Headway Capital). E o segmento de pequenas empresas representa hoje quase 70% da sua carteira.

Olhando para o mesmo trimestre que afundou OppFi, com Enova vemos que a receita cresceu 22%, o lucro ajustado por ação subiu 33% e bateu as estimativas. As novas concessões de crédito aumentaram 27%, no décimo primeiro trimestre consecutivo de crescimento acima dos 20%. E o indicador de perdas de crédito, em vez de piorar, melhorou: de 8,1% para 7,3%.

Isto aconteceu no mesmo ambiente económico e com o mesmo tipo de cliente. Dois resultados opostos. A diferença está na diversificação e na qualidade da máquina de avaliação de risco. Quando o consumidor americano aperta, a Enova apoia-se nas pequenas empresas. A OppFi não tem essa tábua de salvação.

Também a Enova está a comprar um banco (o Grasshopper). Mas fá-lo a partir de uma posição de força, com as ações em máximos históricos e o negócio a acelerar.

Falemos de números

A tentação, olhando para a OppFi a cerca de $7 e a menos de cinco vezes os lucros previstos, é chamar-lhe barata. Mas é uma armadilha, típica dos negócios em deterioração. O mercado exige este desconto por um motivo. 

A Enova, por seu lado, negoceia a um múltiplo mais alto, mas sobre lucros que crescem de forma consistente há vários anos, com uma gestão que recompra as próprias ações de forma agressiva e disciplinada. Paga-se mais, mas por um negócio demonstravelmente melhor.

E o veredicto do mercado é inequívoco. Desde a data da nossa tese, em janeiro de 2025, a OppFi caiu cerca de 23%. Enova subiu cerca de 177%.

Conclusão

A humildade numa derrota pode valer mais do que uma celebração numa vitória. 

A leitura macro que fizemos em janeiro de 2025 não estava errada, o setor deu dinheiro a ganhar. Mas o veículo da nossa tese falhou e, quando o vento mudou de direção, sentimos na pele essa dor.

Hoje é dia para uma leitura pessimista sobre OppFi. O negócio principal está a enfraquecer, a transformação que promete é arriscada e o mercado não perdoa. Já a Enova continua a executar como poucos no seu setor, ainda que, depois de uma subida tão forte, mereça a paciência de quem não gosta de perseguir máximos.

Fica a lição, que é maior do que qualquer das duas empresas: num mesmo setor, a diferença entre o negócio certo e o negócio errado pode ser a diferença entre perder 23% e ganhar 177%.

Nota

Este documento não constitui aconselhamento financeiro, recomendação de investimento, nem sugere qualquer estratégia ou timing de mercado.

Toda e qualquer decisão de investimento é da exclusiva responsabilidade do investidor.

Investir envolve o risco de perda de capital.

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